VERSIONS:![Alceu Valença [EN]](http://www.musiconline.xpg.com.br/imgs/flags/small/us.png)
Teatro Popular do Nordeste, criado por Hemildo Borba Filho. Show de Alceu. A proposta era fazer um show sozinho, com violão e voz. Tiago Amorim - artista plástico que ajudara a montar o primeiro show de Alceu- considerou uma coisa muito "morna" e sugeriu a participação dos "Bambinos" com Robertinho do Recife e Geraldo Amaral, além de Ibanez de Carvalho, que chegava de São Paulo com uma música agressiva e experimenal. Conta Tiago:
- Na hora do show, Alceu pulou no palco, tirou a camisa e escandalizou muita gente inclusive a primeira mulher, Eneida. Parecia um programa de calouros, foi uma explosão do inesperado com quatro dias de teatro lotado. Tiago lembra que as pessoas perguntou a Alceu o que era aquilo, que som era aquele e ele respondia: "nem eu estou entendendo, mas já que tô dentro, tenho que enfrentar."
No dia seguinte à estréia, o conceituado colunista José de Souza Alencar, " Alex", recomendava o espetáculo, publicando no Jornal do Comércio: "Erosão a Cor e o Som é um dos espetáculos musiicais mais avançados no Recife até agora. Erosão é impacto".
- A condição humana
" Muitos artistas não se deixam flagrar na condição humana. já amanhecem de paletó e gravata."
Toco a campainha da casa 182 na Rua São Bento, Olinda. Alceu Valença me recebe mais uma vez e como sempre, à vontade na sua condição humana. É até difícil acreditar que este seja o mesmo Alceu que domina platéias aos primeiros segundos de contato. Não que ele não tenha encanto quando está fora do palco. Cabelo despenteado, barba por fazer - com vários fios brancos à mostra - camisa de malha listrada, Alceu é naquele momento um cidadão comum, sem nenhum resquício da pose que muitos artistas assumem quando frequentam, com sucessos, os palcos daqui e de além-mar. E mostra mais uma faceta: a simplicidade.
E é essa simplicidade quase fransiscana que pode ser observada em todos os cômodos do sobrado de dois andares onde mora a maior parte do ano.
Uma exceção para os quadros dos mais variados tipos e tamanhos - em sua maioria assinados por Zé Som, pintor olindense ainda pouco conhecido - além de telas de Roberto Lúcio, Marcos Cordeiro, bajado, Wellington Virgolino (capa do disco Estação da Luz) Tiago Amorim (ilustração para "Sino de Ouro") Sérgio Lemos (Chuvas de Cajus) e outros, pendurados nas paredes e até encostados no chão. Pouquíssimos móveis de madeira rústica e couro e alguns adereços usados em shows completam a decoração que não dispensa uma boa e listrada rede nordetina armada junto à janela, no salão do primeiro andar.
Sobre essa sua característica, a simplicidade, Allceu diz que prefere estar sempre partindo do zero e que já começa a se preocupar com a possibilidade de ser vigia das coisas que acumula. - Tenho dois apartamentos no Rio, dois no Recife, uma casa em Olinda, vivo bem, mas não dou importância a isso, minha preocupação nunca foi ganhar dinheiro. Eu não olho um contrato, não sei quanto vou ganhar.
Alceu diz que sofre da culpa cristã de possuir coisas, quando o povo vive mal. " Tenho vergonha das coisas que tenho e nunca compro um carro novo" - reforça.
Texto retirado do site oficial de Alceu Valença